Um bom time

Sempre tive uma hipótese comigo, de que se eventualmente você colocasse 10 programadores bons trancados juntos num lugar alguma coisa boa ia sair de lá. A ideia era que num time de bons programadores eles se auto-regulariam, escolheriam o melhor método com pouco overhead e iriam tocar fogo no mundo, como é sempre a historia clássica de start-ups.

Hoje acredito que a hipótese é furada. Provavelmente eles se matariam. Talvez se eles fossem bons programadores e não tivessem o ego do mesmo tamanho. Porém isso nunca acontece, pessoalmente conheço muito poucos programadores que não se auto-proclamam o ultimo bastião da ciência da computação. Fato baseado puramente em fé. Seja porque programação funcional seja melhor que qualquer coisa ou porque NOSQL é melhor que qualquer outra coisa ou se o herege gosta de emacs. 

Agora em 2010 vai fazer longos 12 anos que eu trabalho com isso, e se me perguntarem o que eu mais vejo, eu respondo que vejo pessoas que não sabem corretamente o conceito programação procedural e clamam que usam MVC ou orientação a objetos. 

De vez em quando o tamanho do ego corresponde ao da técnica, não que isso seja bom, já que isso os torna irrelevantes fora do contexto onde dominam. Ser relevante fora do contexto é mais importante do que parece.  A vida toda escutei que o Linux ia dominar o Desktop e de certa forma isso só aconteceu quando sairam os “hackers” da equação em favor de pessoas realmente interessadas no mercado, como os donos do Google ou da Canonical. Android e Ubuntu são nomes maiores que Linux. Um monte de gente usa Linux e não sabe do que se trata seu Android ou Ubuntu.

Hoje minha hipótese é que ciência da computação se tornou uma religião onde os mais chatos prevalecem.  As vezes eu escuto argumentos que estão escritos em livros dos anos 70 como verdades universais, como programa compilado é sempre mais rápido que interpretado. Como se não houvesse varias nuances entre compilação e interpretação e como se compiladores funcionassem como nos anos 70. 

Se um dia eu chegar a ter minha empresa, em vez de perguntas a respeito de ciência de foguete na entrevista, eu simplesmente vou contrariar o que eu puder o entrevistado, e ver se ele é um fiel da igreja da computação ou um cientista ou programador profissional.